Para ouvir o áudio você precisa do plug-in Quicktime. Pegue aqui.

 

FOTOS COPYRIGHT © LOUISE CHIN

“Meu nome é Gisélia, tenho 49 anos, e minha profissão é enfermeira. Gosto muito do que faço. Trabalhei quinze anos em vários hospitais. Eu gosto da minha profissão, ser profissional é muito importante. Existem profissionais e não-profissionais, essa é a minha opinião.”

ouça o áudio (36k)

“Você quer aprender muita coisa? Principalmente em hospital? Vai em um pronto-socorro, que chama-se PS. UTI, também. Lá você aprende muito. Pra trabalhar lá, a gente tem que ser humana, porque estamos trabalhando com pessoas, são seres humanos. Eu sou instrumentadora de tórax, e fiz várias cirurgias. Adorava ver quando as pessoas se salvavam. Você salvar uma vida é muito importante. Não você ver morrer e deixar. Um por causa de dinheiro, outro porque acha que aquilo tem que morrer. Mas não é bem assim. A vida você trata com vida. Porque se fosse a sua mãe, ou pai, qualquer um da sua família, você não gostaria que alguém fizesse isso, gostaria? Não, né?”

ouça o áudio (80k)

“Eu já vi várias coisas: Assassinado, esfaqueado, bala, eles brigam na rua, acidente de carro, acidente de moto. Uma eu vi que me deixou muito triste: foi quando a mãe deu a primeira moto para o filho, e o filho morreu no mesmo dia. A cabeça dele entrou dentro do corpo, com capacete e tudo. Convidamos a mãe para identificar o corpo e ela sofreu muito. Aquilo foi muito triste.

Outro dia um menininho foi atingido por uma bala perdida. A gente teve que catar os miolos dele todo na porta. Isso também é triste. Na Liberdade, um moço, não sei se ele é chinês, japonês, sei lá, uns matam os outros, ninguém sabe porque. Isso é uma coisa muito triste.”

ouça o áudio (92k)

“Eu trabalhei no Hospital do Câncer, fico muito triste por aquelas crianças, lá sofre muito. A quimioterapia mata, é muito triste, as crianças choram, os pais não sabem o que faz, o governo não dá apoio. Por isso que existe casa de apoio para as famílias que tem criança com câncer.”

ouça o áudio (32k)

“Tem uma mulher, eu vi vários assuntos, mas esse foi chocante e deu pra rir bastante. Uma mulher tinha um marido que dizia que ela era doente. Pra mim isso é uma pessoa que não tem escrúpulos e não sabe o que faz da vida. Dormir com cachorro, a-ha! Transar? Pior ainda! Ainda ir grudado pro hospital, isso não vale a pena. Ela tem que ser um ser humano, saber o que faz, e não trocar o marido por um animal. Ela chegou grudada com o cachorro, que absurdo! O médico não deixou ninguém filmar, mas eu como eu trabalhava lá eu vi. Aquilo é muito horrível, teve que matar o cachorro e fazer uma cirurgia e tirar tudo... isso é um absurdo gente! Você é ser humano, e animal é animal. Você transar com um animal é uma coisa absurda, pra mim isso não tem nexo. Você não é louca e nem é retardada, essa é a minha opinião, mas como o médico disse que tudo tem um motivo, só que ele não disse o motivo, cansei de perguntar... mas...”

ouça o áudio (124k)

“A maluquice não é maluquice, é irresponsabilidade, eu acho. Porque médico deixa paciente morrer porque tá brigando com a namorada. O que que tem a ver o namoro dele com o paciente deitado ali na cama? Isso pra mim não é nada. Como é que é? Namorar? Ficar dentro do hospital e ao invés de fazer o que tem que fazer, fazer o que não deve? Por isso que todo mundo tem fama que não presta. Mas começa com todos, vai pra baixo, pra cima, e todos vão ser iguais. Então pra mim isso não vale a pena, então eu sai por isso. ”

ouça o áudio (56k)

“Acidente tem vários, a pessoa briga na rua, e chega esfaqueado, chega com tudo do lado de fora, você tem que pegar e por tudo pra dentro. Pra mim é fácil, porque eu acostumei. É triste para os pais e para a família, mas pra quem trabalha no PS isso se tornou rotina. Você estoura miolos, cortas as pernas, você tem que levar, assim vai indo. Troca um orgão, tira de novo leva, e pra mim isso vai indo.”

ouça o áudio (48k)

“Eu acho que tem que ter coragem antes de mais nada, e sangue muito frio, que pra você aguentar você precisa ser muito fria. Não calculista, mas fria. Você vai sofrer depois. Tem que pensar muito rápido e reagir o mais rápido possível. Lerdo não dá pra trabalhar em PS. PS é coisa séria, não é coisa pra brincar. É muito corrido e tem muitas coisas.

Depois eu conto mais.

Tchau.”

ouça o áudio (64k)