encontro de culturas

 

Não era boa a impressão que tinham, há poucos anos, as pessoas que visitavam a aldeia Boa Vista, dos índios Guarani, situada a 35 quilômetros do centro do município de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Em volta das casas, o lixo se acumulava, com embalagens de plástico se misturando a restos de roupa. Não foi difícil solucionar o problema. Foi necessário apenas o esforço de uma organização não-governamental, a "Associação Socioambientalista Somos Ubatuba", a boa vontade dos próprios índios e muita humildade e vontade de acertar de todas as partes envolvidas.


"Em nossa primeira visita à aldeia, ficamos impressionados com a maneira de falar dos índios, a beleza do local, a independência das crianças e a valorização do silêncio por essa cultura", diz Caio Marco Antonio, 26 anos, presidente da ONG, lembrando sua primeira passagem pela Boa Vista, em companhia de Maria Patricia Mazzutti, hoje vice-presidente da organização. Surgiu imediatamente a disposição de, em colaboração com os índios, solucionar o problema do lixo que se acumulava em volta das casas. Naquele tempo, ainda não havia a ONG. Ela só apareceu mais tarde, quando o problema do lixo já estava encaminhado.
O primeiro passo para a solução do problema foi compreender que, para os índios, a questão do lixo era, também, um problema cultural. Para um Guarani, originalmente, não havia a noção de lixo, no sentido de material a ser descartado. Tudo o que ele usava vinha da natureza. Seus objetos eram, normalmente, feitos de plantas. O volume de resíduos era pequeno e o material descartado apodrecia e se reintegrava ao solo. "No momento em que tomaram contato com nossa cultura, surgiram as dificuldades", diz Caio. "Começaram a consumir embalagens de plástico, material com o qual não sabiam lidar."

Conquistada a confiança dos moradores, jovens da ONG começaram o trabalho de limpeza da aldeia. Só no primeiro dia, foi recolhida cerca de uma tonelada de lixo
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Matéria publicada na Revista Projeto Cultura - NOV./99 - Agradecimentos especiais : Ana Maria Fiori