Cozinha / Alimentação / Higiene

O gasto calórico de até quatro mil calorias por dia, dispendido em esforço para remar, carregar os caiaques e equipamento, e manter-nos aquecidos criou necessidades especiais de alimentação. Acrescente-se a isto o problema dos ursos, e a alimentação rapidamente se torna um dos maiores desafios para um expedição bem sucedida ao Alaska. Para cozinhar, tinhamos que montar a ≥cozinha≤ a pelo menos quinhentos metros das barracas, para não permitir que os odores da comida atraíssem ursos para onde iamos dormir. Sempre estávamos conscientes da direção do vento para que este afastasse os odores do nosso acampamento. O urso marrom pode reconhecer odores 14 horas depois da nossa passagem, o que justifica todos os cuidados. As roupas que utilizavámos para comer, as mesmas para remar, eram guardadas junto com a comida ao fim do dia, para que não entrássemos nas barracas com odores que poderiam atrair ursos. A comida era guardada em bear proof canisters, tubos de pvc com uma tampa que precisa ser aberta com uma chave, impossibilitando que ursos pegassem nossos alimentos. Quando haviam árvores, suspendiamos a comida. Quando isto não era possível, colocavamos pedras sobre os canisters para dificultar a vida dos ursos. No café da manhã comiamos cereais, leite, e alimentos desidratados. Como remávamos durante praticamente todo o dia, nossa alimentação no caiaque era a base de frutas desidratadas, nuts, barras energéticas (Powerbar) e cereais em barra. A noite, o único prato de comida do dia, geralmente massas e alimentos com alto teor de carboidratos. Sopas quentes nos aqueciam antes de ir para a barraca, e para quebrar a monotonia as vezes fizemos pipoca. Toda a alimentação sempre era feita abaixo da linha da maré alta, o que permitia que o mar apagasse qualquer vestígio da nossa passagem, quando a maré subisse, eliminando os odores. Água potável era obtida de rios de degelo, e utilizamos filtros para purificá-la. A erosão causada pelas geleiras contaminava a água com muito sedimento, conhecido como rock flour, ou farinha de pedra na região, o que pode ser visto na mudança da coloração da água de verde para marrom quando nos aproximavamos das geleiras.